No Semáforo
Certo dia, voltando para casa em meio ao trânsito caótico do Rio de Janeiro me peguei em pensamentos mundanos. Quase devaneios filosóficos.
Com a mente vazia por vontade própria eu me agarrava a qualquer ideia. Me prendia desde os piches nos prédios até a forma mais estranha que eu conseguia obter dos faróis à minha volta, se eu embaçasse a vista, até que fui surpreendido por um rapaz no semáforo.
Um homem de boa estatura - no entanto, com certeza um pouco menor que eu - beirando os 28 anos eu diria e negro, com um sorriso de dar inveja a qualquer um.
Ele me quebrou no sorriso e no olhar profundo. Antes mesmo de terminar sua primeira frase eu já tinha lhe devolvido um sorriso. Logo, então ele concluiu sua primeira frase que dizia "Bo, boa tarde. Você não repara não é q, que eu sou meio gago". O visitante do semáforo queria, é claro, alguma contribuição. Mas ele tinha um discurso diferente.
Enquanto eu procurava por algumas moedas no carro e ele passava um pano seco no vidro da frente ele me disse "Sabe a gente fica com vergonha porque algumas pessoas têm medo. Tem uns caras aí que assaltam sabe, mas eu não acho isso legal. Então temos que falar com jeitinho, pedir desculpas por atrapalhar e contar com alguma ajuda".
"A descriminação é grande, mas não há por quê ter vergonha. Tem muita gente da alta aí roubando muito mais do que quem realmente precisa. Esses podem até ser criticados, mas nunca são tão mal vistos quanto realmente merecem", eu disse.
Ele concordou comigo e recebeu feliz as moedas que lhe dei, que um dia foram suficientes para pagar uma passagem mas hoje, graças aos grandes ladrões, não dão conta nem de uma água. Enquanto eu lhe dava aquele pequeno trocado eu disse "quisera eu que nós pudéssemos compartilhar mais, irmão".
Ele sorriu e agradeceu. E enquanto o semáforo me libertava daquele momento de mentira, meu amigo se despedindo me disse uma frase confusa que eu gostaria muito de ter gravado com exatidão. Mas infelizmente me resta apenas palavras soltas e um sentido magnífico que tentarei reproduzir...
"O importante é ser feliz, dando a quem, sem saber o que tem".
Com a mente vazia por vontade própria eu me agarrava a qualquer ideia. Me prendia desde os piches nos prédios até a forma mais estranha que eu conseguia obter dos faróis à minha volta, se eu embaçasse a vista, até que fui surpreendido por um rapaz no semáforo.
Um homem de boa estatura - no entanto, com certeza um pouco menor que eu - beirando os 28 anos eu diria e negro, com um sorriso de dar inveja a qualquer um.
Ele me quebrou no sorriso e no olhar profundo. Antes mesmo de terminar sua primeira frase eu já tinha lhe devolvido um sorriso. Logo, então ele concluiu sua primeira frase que dizia "Bo, boa tarde. Você não repara não é q, que eu sou meio gago". O visitante do semáforo queria, é claro, alguma contribuição. Mas ele tinha um discurso diferente.
Enquanto eu procurava por algumas moedas no carro e ele passava um pano seco no vidro da frente ele me disse "Sabe a gente fica com vergonha porque algumas pessoas têm medo. Tem uns caras aí que assaltam sabe, mas eu não acho isso legal. Então temos que falar com jeitinho, pedir desculpas por atrapalhar e contar com alguma ajuda".
"A descriminação é grande, mas não há por quê ter vergonha. Tem muita gente da alta aí roubando muito mais do que quem realmente precisa. Esses podem até ser criticados, mas nunca são tão mal vistos quanto realmente merecem", eu disse.
Ele concordou comigo e recebeu feliz as moedas que lhe dei, que um dia foram suficientes para pagar uma passagem mas hoje, graças aos grandes ladrões, não dão conta nem de uma água. Enquanto eu lhe dava aquele pequeno trocado eu disse "quisera eu que nós pudéssemos compartilhar mais, irmão".
Ele sorriu e agradeceu. E enquanto o semáforo me libertava daquele momento de mentira, meu amigo se despedindo me disse uma frase confusa que eu gostaria muito de ter gravado com exatidão. Mas infelizmente me resta apenas palavras soltas e um sentido magnífico que tentarei reproduzir...
"O importante é ser feliz, dando a quem, sem saber o que tem".
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