Flechada

Com a respiração pesada e sem forças para sequer controlar os músculos da face, eu caminho.
Me arrasto, passo a passo, como se o mesmo cupido que me acertara, agora me puxasse pelo peito, com toda força. É quase inacreditável como é difícil me locomover.
Sinto-me fraco.

Anseio por qualquer coisa que mantenha-me ocupado, mesmo sabendo que a realidade pode vir à tona. Ainda é melhor que deixar minha mente livre, solta para varrer lembranças agoniantes.
Quando me deito, não sei mais o que pedir a Deus. Restaram apenas os porquês. Mas o tempo vai passar e o peso vai diminuir.

As músicas vão perder o sentido, a comida vai voltar a ter gosto e toda a simbologia irá perecer.
Me apaixonarei por uma mulher menos incrível. Beijarei lábios que não criam um mundo quando tocam os meus. E entrelaçarei os dedos com uma mão que não é tão pequena.  Mas jamais dançarei um abraço novamente.

Comentários

Anônimo disse…
Esse texto é autobiográfico?
Quem ousou de deixar assim?

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