No Silêncio

Tudo estava calmamente ocorrendo conforme o previsto. Ela estava a andar pelo jardim com seu príncipe encantado quando subitamente seus olhos ficaram negros.
Ele começou um discurso dizendo que temia ferí-la e portanto seria melhor que se retirasse.
Claramente ela não pôde compreender o que acontecia ali. Quanto mais entender o porque de seus olhos estarem negros. Os argumentos do cavalheiro lhe pareciam que ele temia magoá-la no campo dos sentimentos, já sua aparência indicava que ela poderia se comprometer de modo físico.
A situação não poderia ser mais confusa. E de uma forma ou de outra aquilo já lhe parecia um pesadelo, que ao que tudo indicava, estava apenas começando.

Como se fosse possível inverter o sentido do campo gravitacional, seu príncipe se foi. E ao passo que ela procurava por seu encantado, passos lhe batiam cada vez mais fundo em seu tímpano. Alguém se aproximava com toda certeza e então o que era muito estranho começou a lhe parecer muito assustador. Assustador demais até mesmo para uma destemida como ela.
Os passos foram aumentando e seja lá quem fosse estava cada vez mais próximo. Seu corajoso amor lhe deixara numa situação confusa e agora ela estava sozinha, com a certeza de que era mais de uma pessoa que estava para cruzar seu caminho. Na verdade, a impressão que a pequena jovem tinha era de que um batalhão corria contra ela como se a mesma fosse um outro lado de uma grandiosa guerra entre reinos.

Ela fugiu, tentou se esconder. Mas seu palco estava se desmontando... Tudo caía perto dela e a revelava.
Até que num súbito de desespero a jovem simplesmente levantou e ensaiou um grito que dizia "Seja lá quem for ou quantos forem. Podem...". Ela acordou. Viu sua janela aberta e se deu conta que de fato era um sonho. Porque nada acontece numa manhã chuvosa de domingo.

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